O tempo de montar

03/10/2019

Talvez agora, em algum picadeiro, um jovem cavaleiro conseguiu sentir o seu cavalo movendo-se através do dorso no trote, ou no galope, e conseguiu um contato mais estável, e ficou fácil de sentar na sela - e ele sorriu.

Amanhã talvez não tenha a mesma sorte, mas hoje terá sido um dia importante, um dia a resgatar na memória - afetiva, muscular - uma harmonia que nunca estivera presente. Amanhã ele pode estar desatento, ou pode lhe faltar tempo e por isso paciência para os exercícios de aquecimento do cavalo, para caminhar ao passo por tempo suficiente, ou pode ser que chova e que o cavalo se assuste tanto com os trovões que não lhe dê chance de aplicar seu (ainda incipiente) conhecimento.
Hoje ele não sabe quanto tempo passou desde que o seu cavalo lhe deu essa sensação nova, boa, tão física quanto sexo, tão sutil quanto o vento que sopra, e ele apenas sorriu - e em silêncio, nem moveu o lábio, na verdade, porque não precisava. Um segundo? Um minuto?
Sim, amanhã será difícil, haverá a expectativa, e o cavalo não contará com isso, ele apenas estará por ali, disponível. Amanhã alguém terá sido convidado para ver que lindo conjunto, e será medíocre, mas o convidado dirá elogios e fará fotografias horrorosas.
Depois de amanhã o cavalo já não estará tão disponível. O cavaleiro terá de tomar mais cuidado, andará muito ao passo, e se conseguir um bom aquecimento quem sabe tenha um bom resultado. Quem sabe consiga ter aquela sensação boa, fácil como o vento que sopra, mas no dia seguinte, de repente, tudo pode dar errado de novo. E quem sabe será fotografado.
Aprender a montar não é fácil, e precisa ser hoje. Sempre hoje.

Hoje um cavaleiro sentiu seu cavalo movendo-se através do dorso no trote, ou no galope, e ficou fácil de sentar na sela - e ele sorriu. Amanhã talvez não tenha a mesma sorte, mas hoje houve uma harmonia que não estava presente.
Amanhã ele estará desatento, pode lhe faltar tempo, ou pode ser que chova.

Mas hoje ele não sabe quanto tempo se passou nessa sensação boa, física como sexo, sutil como o vento que sopra, e ele apenas sorriu em silêncio, nem moveu o lábio.
Mas amanhã será difícil, haverá a expectativa, e o cavalo não contará com isso.

Amanhã alguém terá sido convidado e dirá elogios e fará fotografias horrorosas.

Então depois de amanhã o cavalo já não estará tão disponível, mas o rapaz será cuidadoso, e quem sabe consiga aquela sensação boa, de vento que sopra.

Mas no dia seguinte , de repente, tudo pode dar errado de novo. E quem sabe será fotografado.

Aprender a montar não é fácil, e precisa ser hoje. Sempre hoje.